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ENCONTRO DE ARICA

Imagen JSF
Entre os dias 4 a 6 de maio pp., ocorreu em Arica, extremo norte do Chile, um Encontro de Avaliação e Planejamento do projeto da tríplice fronteira, Chile, Peru e Bolívia. No primeiro dia e na manhã do segundo, no Centro de Convenções do Hotel Azapa, os debates concentraram-se sobre o tema dos refugiados, com o lema Fronteiras, espaço de integração. Marcaram presença, por um lado, representantes da ACNUR, do governo local e regional, do Consulado, do meio universitário de Tacna e Arica, da Vicaria de Pastoral Social da Arquidiocese de Santiago, das Comissões de Pastoral de Mobilidade Humana das Conferências Episcopais, com sede em Santiago, La Paz e Lima; e, por outro lado, os três padres scalabrinianos de Arica, padres scalabrinianos das três capitais dos países envolvidos e das três Províncias, o Provincial da Província São José, Pe. Sante Zanetti, bem como agentes pastorais e lideranças leigas, representando os grupos de Pastoral Migratória das seis dioceses que fazem parte do projeto: Tacna e Puno (Peru) Oruro e Calama (Bolívia), Antofagasta e Iquique (Chile). Os participantes totalizavam mais de 70 pessoas, de 12 nacionalidades distintas.

Mons. Héctor Vargas, bispo de Arica, deu abertura aos debates, chamando a atenção para a intensa circulação de migrantes e refugiados nessa região fronteiriça, ao mesmo que agradeceu a presença e o trabalho dos padres scalabrinianos na área. Segundo ele, essa presença ajudou a reforçar a sensibilidade e a acolhida das Igrejas Locais diante da realidade complexa da mobilidade humana. Seguiram-se várias contribuições, convergindo, todas elas, para o desafio de responder à situação dos migrantes, seja por parte das autoridades governamentais, seja por parte das entidades da sociedade civil, seja por parte da Igreja e da Pastoral Migratória. Esta primeira parte do Encontro terminou com uma visita à fronteira entre Chile e Peru, num contato com os serviços de imigração e aduana do lado do Chile, e outra visita à Casa do Migrante de Arica.

Na tarde do dia 5 e durante todo o dia 6, os participantes da Pastoral da Mobilidade Humana, agora em número aproximado de 35, encaminharam-se para a Casa de Encontros Emaús, onde se realizou a avaliação e planejamento do projeto das três fronteiras. O tempo foi subdividido em quatro momentos: um histórico detalhado do projeto, feito pelo Pe. Leonir Chiarello, do INCAMI; uma avaliação dos trabalhos que vêem se desenvolvendo nas seis dioceses da grande região fronteiriça, a cargo dos Pes. Ildo, Antenor e Marco, bem como de algumas lideranças leigas; uma contribuição teórica sobre o conceito de fronteira, apresentada pelo Pe. Alfredo J. Gonçalves (o texto já está disponibilizado); e um trabalho de grupo em duas dimensões: avaliação do que vem sendo feito, por um lado, desafios e propostas para dar continuidade aos trabalhos, por outro.

No plenário, destacaram-se alguns avanços do projeto nesta primeira etapa: as dioceses se dizem mais despertadas para a realidade das migrações, liberando padres para coordenar a Pastoral da Mobilidade Humana; as autoridades parecem mais sensíveis à problemática; formaram-se equipes de Pastoral Migratória em quase todas as dioceses; os leigos/as envolvidos no trabalho revelam uma formação bastante sólida e grande entusiasmo com a causa dos migrantes e refugiados; em Iquique, Antofagasta e Tacna estão adiantados os serviços com os migrantes; nota-se uma boa articulação e integração, quer entre as diversas equipes, quer entre estas e as referências da Pastoral de Mobilidade Humana localizadas nas capitais (Santiago, Lima e La Paz).

Entre os desafios, vale destacar a necessidade de uma formação diferenciada para as lideranças mais engajadas, no sentido de garantir a continuidade dos trabalhos; o tema dos refugiados, cada vez mais presente na região; melhor conhecimento das leis de imigração dos diversos países, contando com assessoria jurídica; maior penetração nas dioceses da Bolívia; permanente intercâmbio de informações entre as equipes de Pastoral Migratória; colaboração mais estreita com as autoridades governamentais, a ACNUR e com outras entidades que atuam nesse campo; dificuldade de sensibilizar algumas dioceses e paróquias, bem como os órgãos governamentais.

Em síntese, o Projeto das três Fronteiras desenvolve-se de acordo com seus objetivos iniciais: presença e acompanhamento direto aos migrantes na fronteira, capacitação de lideranças para o trabalho da Pastoral Migratória e insidência política frente às instituições responsáveis.

Por  Pe. Alfredo J. Gonçalves, CS

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